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Nota Informativa - acetaldeído em Vinhos do Porto

Perante as notícias veiculadas pelo jornal alemão “Spiegel Online” de 23.09.2008, quanto a existência de compostos cancerígenos, designadamente o acetaldeído, em bebidas alcoólicas, o IVDP, I.P., informa:

1. O acetaldeído (etanal) é um composto muito vulgar, sendo um metabolito produzido naturalmente no homem em vários ciclos metabólicos. É o metabolito principal do etanol. Apresenta baixa toxidade aguda e sub crónica. É, por sua vez, metabolizado para ácido acético.

2. Nas bebidas fermentadas, o acetaldeído é naturalmente originado nos ciclos fermentativos promovidos pelas leveduras na conversão dos açúcares em álcool. Este composto influencia acentuadamente o aroma e o sabor dos vinhos. A sua presença encontra-se intimamente relacionada com fenómenos de oxidação e envelhecimento dos vinhos, sendo que no vinho do Porto, este composto ocorre em concentrações variáveis, na ordem dos 60 mg/l. Nos vinhos, a concentração deste composto não está limitada por qualquer organização internacional.

3. O IVDP, I.P. doseia sistematicamente o acetaldeído em todos os lotes de vinho do Porto e nas aguardentes destinadas à sua elaboração, procurando minimizar o contributo deste composto por esta via.


4. Segundo o relatório “Consumption of alcoholic beverages” publicado pelo IARC (International Agency for Research on Cancer) - organismo que assiste a União Europeia em matérias de mutagenecidade e carcinogenicidade de produtos químicos - apenas existe evidência mecanística em humanos que sejam portadores de uma alteração enzimática rara - deficiência em aldeído-desidrogénase – de que o acetaldeído derivado do metabolismo do etanol das bebidas alcoólicas é causa de tumores esofágicos malignos.( http://monographs.iarc.fr/ENG/Meetings/96-alcohol.pdf, 09/25/08)


5. Sucede que os portadores desta deficiência - que ocorre na população asiática oriental, mas que é rara nos restantes grupos étnicos - são normalmente abstémios ou bebedores pouco frequentes, pois que esta deficiência enzimática causa um forte rubor facial, desconforto físico e mesmo reacções tóxicas severas (http://monographs.iarc.fr/ENG/Meetings/vol96-summary.pdf 09/25/08).

6. Por estas razões, o IVDP, I.P. manter-se-á atento a novos dados que possam vir a ser disponibilizados pela comunidade científica internacional e pelas autoridades de vigilância sanitária.

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